domingo, 31 de agosto de 2014

Ora bolas!



Quando os olhos se turvam
E a vida mostra uma grande mágoa
As lágrimas benfazejas salvam
E de volta a esperança como loa

Será que ela, a Morte, me espreita?
E onde estará a Vida, ora bolas!

Cadê a Vida, aquela senhora linda?
Jovem ou velha, errada ou direita
É como água fresca na moringa
Tolamente livre de qualquer cadeia

Enquanto lá fora venta um vento frio
O Sol se esconde zangado e aflito
Aqui dentro tudo está gelado e vazio
Só meu coração teimoso bate contrito

Será que ela, a Morte, me espreita?
E onde estará a Vida, ora bolas!

Falo palavras inexatas e vazias
E enquanto meus dedos se tornam rígidos
Meus olhos já não têm mais energia
E meu corpo esbelto agora é antigo

Alegria agora está nas cores de outrora
Nas lembranças felizes da minha vida
Nos desejos loucos que estão na aurora
Nas lutas lutadas e quase nunca perdidas

Onde estará a Vida, ora bolas?
Atrás das nuvens cinzentas do céu?
Depois da chuva que cai como esmola?
Ou no meu coração, como fogaréu?

Vai Morte! Ainda não é tua hora!
Tua vez de me tomar em teus braços
Porque esta hora ainda demora...
Mas, um dia... me lanço feliz neste espaço