segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Janela


Lá fora está chovendo. Está? Não, não mais... apenas umas gotinhas esporádicas para me fazer lembrar que o dia está passando depois da janela. Ouço os barulhos misturados e tento decifrar o que são. Parece um mantra repetitivo que dá sono ou nos impele para frente. E ainda tem os ecos do que nem ouvi...
O Céu está bravo. De repente brigou comigo e me pôs de castigo, assim do nada... Eu, obediente, sentei-me aqui e fiquei olhando para ele, à espera de algum sinal que me dissesse que a zanga acabou. Mas nada... Nem uma piscadela de nada...
É interessante tentar enxergar o mundo por traz de uma janela. Lá fora está meio cinza, as cores meio apagadas... Um silêncio barulhento, uma música monótona e angustiante. Pingos...
Minha - pouca - vontade me impele a reagir e respirar o ar úmido lá fora, mas algo me diz para ficar por aqui. Eu sabia... Lá fora - agora - está chovendo. Corro e fecho a janela. De quebra olho de novo para o Céu e quem está brava agora sou eu. Dei um grito mudo e briguei eu com ele. Fechei a janela, brava, e abaixei a cortina. Não quero nem ver. Vou tomar um banho quente - se ainda tiver água - e tomar uma grande xícara de café fresco. E sentar aqui novamente a esperar que finalmente a noite chegue e que eu não precise mais ficar olhando para o Céu bravo, tentando argumentar o que não tem argumento.